Thursday, December 25, 2008

Orientador/a de IC: Manual de Uso e Conservação


Olá,

Estou preparando a palestra que irei ministrar para alunos de graduação na ERBASE de 2009, que será realizada em Ilhéus. Os organizadores foram _________ (preencher com o adjetivo que você achar mais adequado) o suficiente para aceitar "Orientador/a de IC: Manual de Uso e Conservação".

Eu acho que este tipo de apresentação pode ter um papel muito importante no futuro de cada pessoa na platéia. Talvez esteja sobre-estimando o poder das minhas apresentações, mas acho importante ser cuidadoso e procurar a excelência, tanto do conteúdo quanto da forma.

Diante desse cenário, comecei preparar a apresentação usando FreeMind, um software livre para... sim... Mapas Mentais. Até o momento está servindo como bloco de anotações, mas acredito que possa vir a ser de utilidade.

Achei várias coisas interessantes que gostaria de compartilhar para estimular a discussão, reflexão, ameaças e sugestões:
Um artigo na Nature
As nove categorias de orientador (ver imagem)
Uma vídeo-baboseira (http://www.youtube.com/watch?v=5WEX6KL9GBQ)

Espero que o material seja de interesse.

Felizes festas!

Alejandro

Saturday, November 8, 2008

Reflexões sobre a universidade do século XXI e o papel do professor titular neste contexto, artigo de Vasco Azevedo no Jornal da Ciência de 25/11/2008

Meritocracia, que é a mola propulsora do desempenho acadêmico de excelência

Vasco Azevedo é professor titular do Depto.de Biologia Geral do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:

"Para alcançar conhecimento, adicione coisas todo dia. Para alcançar sabedoria, elimine coisas todo dia."
Lao-Tsé

A reforma universitária, gestada pelo governo militar em 1968, é considerada um grande marco na história das universidades brasileiras. A Lei nº. 5.540/68, “Lei da Reforma Universitária” acaba com a cátedra. O catedrático era um cargo vitalício, todos os demais professores, auxiliares dos catedráticos, fossem eles “chefes de laboratórios”, “assistentes” ou “auxiliares de ensino” deveriam ser de confiança do respectivo catedrático, por ele escolhido e cuja permanência nos cargos sempre dependia da vontade do catedrático.

O catedrático eficiente impunha o seu dinamismo ao seu “feudo” e conseguia criar grupos de renome, como, por exemplo, o grupo criado pelo professor Baeta Viana na Escola de Medicina da UFMG, que deu origem ao departamento de Bioquímica e Imunologia.

O catedrático ineficiente, certamente, usava de seu autoritarismo para tentar disfarçar a sua inabilidade de ser um líder de expressão. Tal poder foi transferido para os departamentos. O lado positivo da cátedra é a possibilidade de se criar um grupo mais perene e focado em um tema de pesquisa.

Hoje, temos os alunos de pós-graduação que ficam por um período curto e, muitas vezes, quando novos professores ingressam no departamento, eles têm liberdade total para implantar as suas linhas de pesquisa. Porém, muitas delas não se solidificam, pois o fortalecimento só acontece se o professor titular conseguir atrair, naturalmente, professores para formar um grupo.

Um modelo alternativo poderia ser pensado para aqueles que, por mérito, alcançassem o posto de professor titular, um apoio da Instituição com cargos de pesquisadores e técnicos que iriam trabalhar nas linhas destes professores.

Acredito que o professor titular deve conquistar a confiança dos colegas para que ele possa liderar e exercer o seu papel na Universidade, que é de suma importância. No departamento, o professor titular participa da composição da câmara, sem a necessidade de eleição.

Na câmara, são tomadas todas as decisões acadêmicas relativas ao ensino, pesquisa e extensão e a influência do professor titular é inegável. Acredito que os Departamentos carecem de planejamento, sendo a ação de um professor titular fundamental no processo de elaboração de suas prioridades, por meio de planos de ação estruturados de médio e longo prazo para que este se torne forte e competitivo.

Este plano deve contemplar a melhoria da infra-estrutura de pesquisa, do ensino e da extensão, bem como a motivação dos professores e técnicos, sempre aplicando a meritocracia, que é a mola propulsora do desempenho acadêmico de excelência.

O professor titular tem que assumir compromissos administrativos, dentre os quais chefias do Departamento, coordenadorias de Pós-graduação, diretorias de Unidade, Pró-reitorias e mesmo reitoria, devendo sempre estar preparado para o exercício das funções administrativas.

O professor titular deve ter maturidade para congregar os professores, técnicos, alunos e todos os que convivem na Instituição, de forma a propiciar uma convivência pacífica e ordeira, fornecendo melhores condições de trabalho.

Em Unidades Acadêmicas da Universidade, o professor titular também participa da Congregação que tem uma amplitude maior do que as reuniões das câmaras departamentais. Ao se pensar na instituição, é importante que haja troca de experiências entre os Departamentos e, para que este modelo prospere, é necessário que exista um equilíbrio entre os mesmos, em uma atmosfera de respeito pela história e evolução de cada um deles.

O professor titular pode participar de órgãos colegiados superiores como as Câmaras de Graduação, Pós-graduação e Pesquisa, e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), ou até mesmo no Conselho Universitário, além de exercer outras funções administrativas. Estas funções, nas Universidades, requerem competência e profundo conhecimento da Instituição, sendo seu exercício motivado por sabedoria e moderação.

Nas agências de fomento dos Estados ou da União vinculadas à Educação, Ciência e Tecnologia, há um espaço para o exercício da liderança dos professores titulares.

Nos últimos anos, os grandes projetos científicos e tecnológicos são direcionados para o trabalho redes (Instituto do Milênio, Pronex, Rede Genoma e Proteoma), e são, obrigatoriamente, coordenados por professores nível 1 do CNPq, os quais, geralmente, são professores titulares.

Nestes projetos, os coordenadores são agentes catalizadores e motivadores da interação entre as instituições e os grupos de pesquisa.

O professor titular deve sempre buscar intercâmbios com instituições no exterior, com o objetivo de incrementar as interações e fortalecer os grupos de pesquisa da sua Instituição.

A vinda de professores e pesquisadores visitantes de outras instituições, principalmente do exterior, promove o intercâmbio de escolas de pensamento, o que é de fundamental importância na formação de um pensamento plural que é mais abrangente e, principalmente, consistente.

Concluo, diante do exposto, que o professor titular deve ser um modelo a ser seguido e, para isso, deve ser um professor exemplar em sala de aula, produzir ciência e formar recursos humanos em quantidade e qualidade compatíveis com as melhores universidades do mundo.

Acredito que é cumprindo a função de produzir, compartilhar e difundir o conhecimento que a universidade forma cidadãos esclarecidos e profissionais capacitados.

Como realizamos mais de 80% da pesquisa científica nacional nos nossos laboratórios, de fato, a universidade é responsável pelo desenvolvimento científico do país.

Formação de recursos humanos

Exercendo seu papel de geradora de conhecimento científico e tecnológico, a universidade se torna uma interlocutora importante do setor empresarial, contribuindo para a inovação e o desenvolvimento industrial, com impactos tanto do ponto de vista científico, como do econômico e social.

Com isso, cabe a ela cuidar da formação de quadros de pessoal qualificado para atividades acadêmicas e também nos setores empresariais, privado, público ou de centros de pesquisa, e cabe a ela cuidar da complementação de formação de pessoal em áreas em que o Brasil ainda não atingiu o nível internacional adequado. Por isso, acredito que temos que quebrar vários paradigmas educacionais no começo desse século nas nossas universidades.

Com a diminuição do número de cargos nas universidades e com o aumento do número de doutores – o Brasil quer formar mais de 14 mil doutores/ano – e, com o crescimento da atividade de pesquisa e do financiamento da mesma, a pesquisa nas universidades do nosso país terá que se assentar no trabalho de pós-doutorado como aqueles nos Estados Unidos e Europa.

O Brasil está começando a se empenhar no sentido de melhorar a qualidade da ciência básica nas suas universidades e uma estratégia que começou a ser usada é a de oferecer mais bolsas de pós-doutorado para brasileiros, mas ainda falta oferecer bolsas a estrangeiros.

O papel dos programas de pós-doutorados nas universidades é incrementar a pesquisa, dessa forma, expandindo seu número de pesquisadores-doutores sem ter com eles compromissos institucionais, já que a escolha do pós-doutorando é de inteira responsabilidade do professor que detém o financiamento.

Enfim, o recebimento de pós-doutorandos nas universidades é uma política que atende, em última instância, aos interesses das próprias universidades.

A tendência do pós-doutorado é se caracterizar como uma oportunidade de complementação de formação por meio de um trabalho de pesquisa. Evidentemente, um jovem doutor ainda tem muito que avançar em sua formação e a oportunidade de trabalho em uma equipe de qualidade, com liderança em certo tema e com financiamento contribui muito para isso.

Entretanto, essa formação é muito mais especializada, restringindo-se, em geral, ao contato com os membros da equipe, e pode ocorrer em quase total isolamento do restante da universidade, na medida em que o pós-doutor não tem que cumprir disciplinas nem se envolver com qualquer outro laboratório/departamento/grupo que não seja aquele no qual está inserido.

Inovação

A preocupação em proteger suas invenções deu um salto nas universidades brasileiras nos últimos anos, mas ainda está longe do ideal. NA UFMG foi criada a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), para atuar na gestão do conhecimento científico e tecnológico, exercendo, entre outras, atividades concernentes à disseminação da cultura de propriedade intelectual, ao sigilo das informações sensíveis, à proteção do conhecimento e à comercialização das inovações geradas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Hoje esta coordenadoria é considerada a melhor do Brasil e a UFMG tem: 247 pedidos de patentes depositados no Brasil, sendo 6 concedidas; 47 pedidos de patentes depositados no exterior, sendo 12 concedidas; 10 software; 32 marcas; 17 contratos assinados de transferência de tecnologia.

Este esforço feito pela UFMG vem encorajando os pesquisadores, que antes tinham todo o trabalho, a depositarem as suas patentes, vendo com alegria a possibilidade da comercialização dos seus produtos.

Extensão

O professor em regime de dedicação exclusiva deve realizar atividades de ensino, pesquisa e extensão, e tenho sempre em mente estes três pilares na carreira universitária. A extensão universitária é uma forma de interação da universidade com a sociedade. É uma espécie de ponte permanente entre a universidade e os diversos setores da sociedade.

Escrevi, recentemente, um ensaio intitulado: “O Professor Universitário e o menino da bolha”. Nele, comparo o professor universitário que sente se seguro no seu campus, sua bolha, ao menino que tem falhas no seu sistema imune e é obrigado a viver na bolha. Se sair da bolha, o menino morre. Se o professor vive somente na redoma dourada dos seus campi, não cumpre a sua função plena com a sociedade que o paga.

Ensino, pesquisa e extensão são interdependentes. O ensino precisa da pesquisa para oxigená-lo, aprimorá-lo e inová-lo, pois, do contrário, corre o risco da estagnação.

O ensino necessita da extensão para levar seus conhecimentos à comunidade e complementá-los com aplicações práticas. A extensão precisa dos conteúdos, educandos e professores do ensino para ser efetivada. A extensão necessita da pesquisa para diagnosticar e oferecer soluções para problemas diversos com os quais irá deparar-se, bem como para que constantemente se atualize.

Por sua vez, a pesquisa prescinde dos conhecimentos detidos pelo ensino, como base de partida para novas descobertas. Além disso, a pesquisa depende do ensino e da extensão para difundir e aplicar sua produção, e assim, indicar-lhe os novos rumos a seguir.

Portanto, ensino, pesquisa e extensão são atividades interdependentes, complementares e precisam ter valorações equivalentes no sistema universitário.

A qualidade e o sucesso dos profissionais formados pelas universidades dependem, diretamente, do nível de desenvolvimento, equilíbrio e harmonia entre essas três áreas da universidade.

É difícil conceber universitários bem formados sem a influência dessa formação sistêmica interdependente e complementar que deve ser propiciada pelo ensino, pesquisa e extensão.

Existem vários tipos de ações que são consideradas extensionistas, como diferentes tipos de cursos, palestras, viagens de estudo e campanhas orientativas.

Durante os oito anos que fiquei na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e nos últimos dez anos até os dias atuais, atuando na Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), fui praticamente do Oiapoque ao Chuí fazendo campanhas para que a cultura da Biossegurança se instalasse na mentalidade dos professores e pesquisadores das universidades e centro de pesquisas.

Foram dezenas de visitas aos centros de pesquisa, explicando a lei de biossegurança e orientando os institutos nos parâmetros nos quais deveriam se enquadrar e como os laboratórios deveriam se reestruturar para trabalhar com Organismos Geneticamente Modificados; escrevi, também, vários artigos nos jornais da mídia convencional e da ANBio.

Desde 1998, minha atuação e postura visam sempre a incentivar a consciência e responsabilidade no trabalho com Organismos Geneticamente Modificados. Fomos ao Senado Federal para participar de audiência pública e elaboramos um documento que pudesse dar subsídios aos parlamentares, ministrei cursos para profissionais da área de direito e da mídia e treinei fiscais da vigilância sanitária que trabalham nos portos brasileiros. Tais atividades de formação constituem importante trabalho de extensão essencial à excelência global das instituições públicas.

A Universidade Brasileira é plural e deve continuar assim neste século. Os professores e principalmente os titulares devem ter uma visão holística do mundo e aberta. Precisamos lembrar que a boa universidade é aquela que emprega. Para empregar é preciso conhecer o mercado. O mercado é dinâmico, imediatista e o tempo do ciclo das suas necessidades são variáveis, podem ser longos ou curtíssimos. Qual a atitude que as Universidades devem ter em relação ao mercado?

Não pode ser submissa, subserviente, deve ter independência sem ser arrogante e autoritária. Deve ter a capacidade de planejar e fazer exercícios de previsões do futuro. Acredito que é o fiel da balança da sociedade com o mercado, mais nunca deve esquecer que precisa empregar, sem ser a qualquer custo, repassar os ensinamentos e gerar riquezas. Se fizermos isto, as universidades e seus professores terão um grande papel no século XXI.

Tuesday, September 16, 2008

Preparados para perder

Artigo de Gustavo Ioschpe (Veja, Edição 2076, 3 de setembro de 2008)

O Brasil foi excepcionalmente bem nos últimos Jogos Olímpicos. Com catorze medalhas de ouro, ficamos em 14º lugar – destaque para o nadador Clodoaldo Silva, seis ouros. Infelizmente falamos da Paraolimpíada de Atenas, já que na última Olimpíada convencional o Brasil teve desempenho pífio: três ouros, 23ª posição, atrás de países como Jamaica, Quênia e Etiópia. Creio que essa diferença de performance entre os dois tipos de competição não seja totalmente acidental.

As razões costumeiras não parecem explicar bem os motivos do nosso fracasso. O primeiro vilão apontado é a nossa pobreza. Mas o Brasil é hoje a décima economia do mundo, não a 23ª.

A segunda razão comumente apontada é o pouco investimento em esporte no país. Em 2008, não foi o caso. Segundo a Folha de S.Paulo, apenas o governo federal investiu 1,2 bilhão de reais em esportes olímpicos desde Atenas. Sem incluir o orçamento de fontes próprias do COB, esse valor significaria um custo de 400 milhões de reais por ouro. O custo do Comitê Olímpico americano – financiado basicamente sem dinheiro público – foi de 32 milhões de reais por ouro.

A impressão que ficou de nossos atletas é que seus fracassos se deveram mais a questões psicológicas do que financeiras ou estruturais. E isso importa não por causa da Olimpíada, que tem valor apenas simbólico, mas porque essa mentalidade se reproduz em toda a vida nacional, com conseqüências reais.

No mês de julho, foram disputados os Jogos Olímpicos escolares: Química, Física, Matemática e Biologia. Das 142 medalhas de ouro distribuídas nessas competições, o Brasil ganhou... zero.

Não temos apenas carências materiais a nos complicar a vida: temos uma cultura que abomina a competitividade, desconfia dos vitoriosos e simpatiza com os fracassados. Quando o nadador César Cielo, não por acaso treinado nos EUA, declarou que iria em busca do ouro, o desconforto dos comentaristas televisivos foi audível: muita saliva gasta para deixar bem claro que se tratava de "autoconfiança" e não "arrogância". Porque melhor um bronze humilde do que um ouro arrogante! Se Michael Phelps tivesse nascido no Brasil, seria provavelmente exilado ao declarar a intenção de bater o recorde de medalhas em uma Olimpíada. Só num país de perdedores uma classificação para final olímpica é vista como "garantia de prata", e não uma chance de 50% de ouro. Só no Brasil se ouvem atletas dizendo que o bronze valeu ouro, só aqui se vê um chororô constante e público de favoritos que foram vencidos por seus nervos. Só aqui um atleta como Diego Hypólito, depois de cair sentado em sua competição e ainda ter a pachorra de culpar os céus ("Deus não quis. Deus decidiu isso."), é recebido com festa e escola de samba. Nós nos preocupamos mais em ser campeões morais do que campeões de fato. Valorizamos o esforço mais do que o resultado. Acreditamos que o sofrimento do percurso redime o fracasso da chegada, ao contrário dos países que dão certo, em que o sucesso do resultado é que redime o sofrimento do percurso.

As desigualdades que se acentuaram ao longo de governos autoritários parecem ter originado a idéia estapafúrdia de que, em uma democracia, os cidadãos devem ser iguais. Não tratados da mesma maneira: pelo contrário, tratados de maneira desigual, para que no resultado final se estabeleça a igualdade. Como é impossível elevar todos aos píncaros da glória, já que as aptidões individuais são diferentes, o objetivo passa a ser a mediocrização total. Por isso a palavra-chave dos tempos que correm é a "inclusão", e não o "mérito": para trazer todos à média, é preciso focar a atenção nos deficientes e ignorar – quando não reprimir – os talentosos.

Esse é sem dúvida um traço cultural, difuso, do brasileiro. Mas não há dúvida quanto ao locus no qual essa mentalidade é mais amplamente difundida e inculcada: a nossa escola. Há leis sobre o acolhimento de crianças com deficiências físicas e mentais na sala de aula; há preocupação com a questão dos excluídos no programa de livros didáticos do MEC, até da área de ciências. Mas não existe nenhuma preocupação oficial com a identificação e o desenvolvimento daquilo que o país tem de mais precioso: grandes mentes. Pelo contrário: quando esses esforços existem, normalmente vindos da iniciativa privada, são rechaçados pelos políticos dos mais diversos matizes. Quando uma ONG chamada Ismart, capitaneada por Marcel Telles, quis institucionalizar seu programa de bolsas a jovens talentos pobres de São Paulo, ouviu do então secretário estadual, Gabriel Chalita, que o instituto estava proibido de aplicar suas provas na rede estadual para descobrir os talentos e também de divulgar a iniciativa. Caberia à secretaria, com seus métodos e em privado, identificar os candidatos. Na secretaria municipal da gestão Marta Suplicy a recomendação foi mais direta: se havia uma preocupação com os alunos fora de série, por que não focar naqueles com síndrome de Down? Não é por acaso que o nosso censo escolar identifica míseros 2 553 alunos superdotados em um universo de 56 milhões de estudantes da educação básica: é preciso uma cegueira proposital para ver tão pouco.

A ojeriza à meritocracia em nossas escolas vem sob a desculpa de que a competitividade pode causar profundos danos à psique das crianças. Um sistema educacional como o chinês, em que os melhores alunos de cada sala são identificados publicamente – em algumas escolas, através do uso de lenços coloridos – e posteriormente transferidos às melhores escolas, desperta em nossos professores os seus instintos mais primitivos. Freqüentemente ouve-se que sistemas assim levam as crianças ao suicídio, depressão etc. É a senha para que criemos uma escola inclusiva, afetiva, que cria seres felizes e éticos. É uma empulhação sem tamanho. A literatura empírica educacional aponta o benefício de o aluno fazer dever de casa e ser avaliado constantemente, por exemplo. Práticas malvistas por nossos professores, porque supostamente significariam acabar com o componente lúdico da infância e, com certeza, roubariam o tempo lúdico do professor. Pior ainda: a suposta escola do afeto e da felicidade produz muito mais miséria, e por período bem mais longo de tempo, do que as agruras de um sistema meritocrático que premia o trabalho. O que é melhor: "sofrer" por algumas horas por dia na infância estudando com afinco e ter uma vida próspera e digna ou passar a juventude em brincadeiras e amargurar toda uma vida na humilhação do analfabetismo, do subemprego e da pobreza? Qual a sociedade que produz menos violência e infelicidade: aquelas em que os alunos brincam ou aquelas em que estudam?

Enquanto prepararmos a futura geração para que escolha entre o sucesso e a felicidade, o Brasil permanecerá sem os dois.

Tuesday, June 24, 2008

Atividade para 1/7/2008

Pessoal,

Aproveitando os recursos do Google, criei este blog especificamente para a nossa disciplina. Vamos usá-lo para uma atividade:
  1. Ler o artigo de Marcelo Gleiser intitulado "Mito ou Verdade?"
  2. Fazer uma pesquisa sobre este autor
  3. Escrever pelo menos um comentário neste blog sobre duas coisas: (i) o artigo à luz dos conteúdos que vimos discutindo na disciplina e (ii) a dimensão acadêmica do autor
Trata-se de um blog e, portanto, a discussão e o debate são bem-vindos desde que sejam feitos com base em argumentos técnicos.

A atividade vale nota e conta como carga horária. Somente serão consideradas válidas as respostas postadas até as 18:00 do dia 1/7/2008. Somente respostas válidas contarão como presença.

Alejandro