Thursday, December 30, 2010
O outro lado da moeda da educação
By DAVID BARBOZA
Discipline helps explain why the city’s students outperformed those from about 65 other countries.
Wednesday, December 29, 2010
Desagravo do Prof. Igor ao assassinato do Prof. Kássio Vinícius
Embora há muito tempo desligado daquela instituição, como ex-professor do Instituto Metodista Izabela Hendrix, fiquei profundamente consternado com o caso do universitário que, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca no coração de seu professor, na cantina, em pleno horário escolar, à frente de todos.
Escrevi um desagravo e, em minha opinião, a pérfida ilusão vendida a muitos alunos despreparados, sobre a escola (e a vida) como lugares supostamente cheios de direitos e pobres em deveres, acaba por contribuir para ambientes propensos à violência moral e física.
Espero que, se concordarem com os termos, repassem adiante, sem moderação. A divulgação é livre.
Abs Igor
J’ACUSE !!!
(Eu acuso !)
(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)
« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.
(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)
(Émile Zola)
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal a o autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça–boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.
Monday, December 27, 2010
Lula vai soltar o terrorista Cesare Battisti
Presidente deve anunciar decisão até o fim da semana para não deixar o caso para Dilma
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixou claro a seus assessores que vai manter o terrorista italiano Cesare Battisti no Brasil. Durante encontro com jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, nesta segunda-feira, Lula voltou a dizer que tomará uma decisão sobre o assunto até o final desta semana.
Lula não quer deixar o caso para ser resolvido pela futura presidente Dilma Rousseff.
Leia mais
Ricardo Setti: O terrorista que matou quatro pessoas deve ficar livre da cadeia
Em VEJA de 21 de janeiro de 2009: Obrigado, Tarso Genro
Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália em 1987 por quatro assassinatos promovidos pela organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Preso na Penitenciária da Papuda desde março de 2007, sua extradição foi pedida pelo governo da Itália.
Julgado em 19 de novembro de 2009 pelo Supremo Tribunal Federal, o pedido foi considerado procedente. Os ministros, porém, decidiram que a decisão final sobre a extradição deveria ser deixada ao presidente da República, por se tratar de um caso de política internacinal.
São Paulo, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
CONTARDO CALLIGARIS
A Itália e o caso Battisti
A Itália ganhou a guerra dos anos 70: a República se manteve sem deixar de ser Estado de Direito
QUANDO SAÍ de férias, o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) tinha negado o status de refugiado político a Cesare Battisti, o foragido da Justiça italiana preso no Brasil em 2007, num quiosque de Copacabana (esse detalhe deve ter revoltado mais de um, na Itália: "Matou meu pai, meu marido, meu amigo, e agora toma água de coco na praia?").
Durante os ditos anos de chumbo italianos, Battisti, 54, foi membro dos PAC (Proletários Armados para o Comunismo), um grupinho ideologicamente pouco expressivo, mas muito violento. Em 1981, sem ser acusado de nenhum homicídio específico, ele foi condenado a 12 anos de prisão; fugiu para o México e, logo, para a França. Quando a França mudou sua política de asilo aos terroristas foragidos, Battisti veio ao Brasil, com documentos falsos.
Entretanto, Pietro Mutti, chefe dos PAC, foi preso na Itália e, para evitar a prisão perpétua, escolheu a "delação premiada". Na delação premiada, os acusados, para se salvarem, denunciam outros culpados, e é frequente que eles "ferrem" logo os foragidos, que estariam "a salvo" (esse era o caso de Battisti). Agora, sem a delação premiada, a polícia italiana não teria desmanchado as organizações terroristas dos anos 70 nem marcado pontos no combate contra as máfias.
Enfim, o "arrependimento" de Mutti levou a novos processos, nos quais Battisti foi condenado por seu envolvimento em quatro homicídios -dois eram execuções de comerciantes que tinham "ousado" resistir aos assaltos pelos quais os PAC "arrecadavam" fundos.
Bem no dia de minha volta ao Brasil (15 de janeiro), eis que Battisti estava nas primeiras páginas da imprensa italiana, num coro de indignação: Tarso Genro, ministro da Justiça, acabava de conceder asilo a Battisti, revertendo a decisão do Conare.
Deixo de lado o debate jurídico. O que mais fere os italianos é a ideia de que, segundo o Brasil, Battisti, voltando para a Itália, correria perigo de vida; como se o Estado italiano fosse um bandido, pronto a eliminar restos incômodos de seu passado.
Há, nessa ideia brasileira, uma projeção: nos anos 70, a Itália teria sido uma ditadura, como o Brasil.
Essa visão da Itália, além de errada, é cúmplice do próprio ideário dos anos de chumbo. Pois, nos anos 70, foi graças à visão de um Estado bandido que os terroristas italianos, de esquerda e de direita, justificaram seu ódio pelo que lhes parecia ser a "mediocridade" democrática.
Neofascistas ou "revolucionários", eram adolescentes enlouquecidos que queriam vidas e mortes "extraordinárias". Atiravam em sindicalistas e comerciantes ou colocavam bombas nos trens para acabar com a "normalidade" cotidiana que receavam para seu próprio futuro; e juravam que era para lutar contra a opressão do Estado.
Hoje, é possível dizer que a Itália ganhou a guerra dos anos de chumbo: a jovem República se manteve sem deixar de ser um Estado de Direito. Quem pensa assim?
Acaba de sair um livro de Adriano Sofri, que foi (ele sim) uma figura crucial e pensante daqueles anos, líder de Lotta Continua, acusado como mandante do homicídio do comissário Luigi Calabresi e condenado a 22 anos de prisão. Em "La Notte che Pinelli" (ed. Sellerio), Sofri reconstitui a história da investigação depois do atentado de Piazza Fontana, em Milão, em dezembro de 1969 (bomba que foi o primeiro ato dos anos de chumbo).
O comissário Calabresi seguiu a pista anárquica -errando, pois a bomba (entendeu-se mais tarde) era de direita. O anarquista Giuseppe Pinelli, questionado, "jogou-se" da janela do quarto onde estava sendo interrogado. Lembro-me bem: Pinelli, para todos nós, "tinha sido suicidado".
Junto com o corpo de Pinelli, naquela noite, ruiu a confiança no Estado. Ou seja, a bomba surtiu o efeito desejado: durante décadas, a democracia pareceu ser apenas o disfarce de uma dominação brutal e escusa, que legitimaria o combate armado. Calabresi, um policial íntegro, não foi responsável pela morte de Pinelli, mas foi assassinado, em 1972, depois de uma campanha de imprensa que o culpava.
Com coragem admirável, Sofri escreve o que talvez venha a ser o melhor epitáfio dos anos de chumbo: "Não me sinto corresponsável por nenhum ato terrorista dos anos 70.
Mas do homicídio de Calabresi, sim, por ter dito ou escrito ou por ter deixado que se dissesse e se escrevesse "Calabresi, você será suicidado'".
ccalligari@uol.com.br
A TIM e eu, eu e a TIM
Esta mensagem foi enviada pelo sítio Web da TIM, e o novo protocolo é 2010224251847.
Saturday, December 25, 2010
Uma noite memorável


O lugar é impecável, desde a ambientação até a música. Fomos recebidos pela chef Simone em pessoa, e pedimos que ela preparasse um menu degustação.

Foi um evento memorável, tanto pela componente gastronômica quanto pela ótima companhia. Apreciamos uma variedade de tiraditos e cebiches, todos maravilhosos. A bebida foi a fantástica caipiroska de lichia, complemento perfeito.
Wanchako e a Cebichería El Brujo são parte do patrimônio cultural da cidade e do Estado. Parabéns para Simone e sua equipe.
Wednesday, December 22, 2010
Diálogos com alunos
- O algoritmo é com ou sem perdas?
- Com perdas, claro!
- E por que seria com perdas?
- Porque é muito bom.
- Não entendi.
- Porque é muito, muito bom.
- E o que isso tem a ver com as perdas?
- Ahhhh! Perdas! Entendi pernas!
- Se entendeu pernas, o que significa a sua resposta? O que você quis dizer ao afirmar que o algoritmo tem pernas?
- Que ele se sustenta!
E o salário...
Sunday, December 19, 2010
Conversando com a Tam pelo Twitter
Cheguei na página de mensagens, escrevi o texto e fui redirecionado para a página "Fale com o Presidente", onde informei o número do cartão fidelidade e a senha. Os meus dados foram recuperados sem problemas, preenchi vários outros campos, digitei o "captcha", e na hora de mandar a mensagem... nada! Tentei tudo novamente desde o início, e nada. Estava usando Firefox, e repeti tudo mais um par de vezes com o Chrome... e nada! O botão de envio não faz nada.
Resolvi comentar o fato no Twitter, e copio o diálogo a seguir (ler de baixo para cima).

Obediente como sempre, segui o link que me enviaram... que me levou para onde? Para a primeira página que acessei... e tudo se repetiu novamente.
Parabéns pelo excelente SAC!
Para não deixar sem registrar o elogio, eis o texto que nunca consegui enviar.
No dia 13 deste mês embarquei em Maceió com destino Foz do Iguaçu no voo 3153. Gostaria de deixar o registro do excelente atendimento dado pelo funcionário Antonio, do balcão de atendimento da Tam. Ele tomou a iniciativa de verificar que havia um voo melhor que o meu, e providenciou a troca. Graças a isso, cheguei duas horas antes do previsto e sem fazer trasbordos. Ele e a Tam estão de parabéns. Muito obrigado!
Wednesday, December 8, 2010
Os dez mandamentos de Bertrand Russell
Bertrand Russell’s Ten Commandments
By philebersole
The philosopher Bertrand Russell wrote his own personal set of ten commandments. They were published under the title “My Ten Commandments” in Everyman magazine in 1930.
They ran as follows: -
1. Do not lie to yourself.
2. Do not lie to other people unless they are exercising tyranny.
3. When you think it is your duty to inflict pain, scrutinize your reasons closely.
4. When you desire power, examine yourself closely as to why you deserve it.
5. When you have power, use it to build up people, not to constrict them.
6. Do not attempt to live without vanity, since this is impossible, but choose the right audience from which to seek admiration.
7. Do not think of yourself as a wholly self-contained unit.
8. Be reliable.
9. Be just.
10. Be good-natured.
Years later he wrote another set of ten commandments, this one just for teachers. It was published in an article entitled “The Best Answer to Fanaticism – Liberalism” in the New York Times Magazine in 1951.
This set ran as follows: -
1. Do not feel absolutely certain of anything.
2. Do not think it worthwhile to proceed by concealing evidence, for the evidence is sure to come to light.
3. Never try to discourage thinking for you are sure to succeed.
4. When you meet with opposition, even if it should be from your husband or your children, endeavor to overcome it by argument and not by authority, for a victory dependent upon authority is unreal and illusory.
5. Have no respect for the authority of others, for there are always contrary authorities to be found.
6. Do not use power to suppress opinions you think pernicious, for if you do the opinions will suppress you.
7. Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.
8. Find more pleasure in intelligent dissent than in passive agreement, for, if you value intelligence as you should, the former implies a deeper agreement than the latter.
9. Be scrupulously truthful, even if the truth is inconvenient, for it is more inconvenient when you try to conceal it.
10. Do not feel envious of the happiness of those who live in a fool’s paradise, for only a fool will think that is happiness.
I am indebted to Kenneth Blackwell, editor of Russell: the Journal of Bertrand Russell Studies, for the sources of these quotes.
Wednesday, November 10, 2010
Saturday, May 1, 2010
Sunday, March 28, 2010
Mais uma tradução admirável
Sunday, February 14, 2010
Reconhecimento ao trabalho
After 1997, papers on SAR statistical modeling have appeared in renowned journals almost every year. The most attractive achievement among them is the statistical modeling on extremely heterogeneous region of SAR images proposed by Frery [24], who works in Brazil and has introduced the original idea that for the purpose of statistical modeling, SAR images can be divided into homogeneous regions, heterogeneous regions and extremely heterogeneous regions, according to their contents.
O autor cita o meu artigo de 1997, publicado na IEEE Transactions on Geoscience and Remote sensing. O artigo de Survey está disponível (gratuitamente) em http://dx.doi.org/10.3390/
Nada como entrar na segunda metade do século de vida com um reconhecimento desses!
Thursday, February 4, 2010
Junichiro Tanizaki
Continuo lendo fascinado a obra de Junichiro Tanizaki, e por esses dias vou começar o monumental As irmãs Makioka. Na Wikipedia tem uma breve porém informativa biografia deste grande escritor, que inclui este belo exemplo de caligrafia: "The heart of mine is only one, it cannot be known by anybody but myself." Muito, muito adequado!
Wednesday, February 3, 2010
Dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar...

e também dia de festa para mim. Ontem, 2 de fevereiro de 2010, me tornei cidadão brasileiro. O processo foi longo, mas o desfecho favorável me enche de alegria e de orgulho. Fui acompanhado pelo meu amigo Plínio, no papel de advogado. Enilson registrou o momento.

Plínio e eu assinamos o termo com a bela Aurora 500 Anos da Descoberta do Brasil, que aguardava por este momento há mais de sete anos. A tinta que marcou a ocasião foi a Noodler's Blue Black.
Sunday, January 31, 2010
Artigo aceito no JCC
- Os quatro primeiros autores do artigo são Marcelo Almiron, Bruno Lopes Vieira, Alyson L. C. Oliveira e Antonio C. Medeiros. Desses, Marcelo foi meu aluno de mestrado e hoje faz doutorado na UFMG, Bruno e Alyson são atualmente meus alunos de mestrado, e Antonio (Tonny) faz graduação em Meteorologia na Ufal e colabora há algum tempo com o meu laboratório, o LaCCAN.
- Esse artigo fecha o ciclo de um trabalho que começou em 2008. Aproveitando o domínio de Tonny com planilhas, resolvemos avaliar a precisão numérica de algumas. O primeiro trabalho foi um artigo aceito e apresentado no Congresso da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional.
- A preparação do pôster para apresentar esse trabalho nos levou a refletir sobre uma linguagem mais gráfica para esse tipo de mídia. Essas meditações estão sendo organizadas por outros dois alunos meus, Paulo e Rian, que estão preparando um outro trabalho sobre esse assunto.
- Dada a boa aceitação desse artigo em congresso, e estimulados pelo amigo e colega o Prof. Francisco Cribari-Neto, resolvemos ampliar o trabalho e submetê-lo a um periódico.
- Inicialmente almejamos o TEMA, da própria SBMAC... mas confundimos a data de submissão. Dá para imaginar a pena? Confiantes como estávamos na qualidade do trabalho, resolvemos dar a volta por cima, escrever o artigo em Inglês e mandá-lo a um periódico ISI.
- Submetemos a primeira versão do artigo ao JSS em dezembro de 2008. Tinha onze páginas.
- A primeira rodada de revisões foi bem positiva, e em pouco tempo enviamos a segunda versão.
- A segunda leva de correções quase que nos mata, pois nos pediram muitas coisas que nem cogitávamos colocar. As sugestões eram extremamente pertinentes, e se conseguíssemos atendê-las iríamos ter um artigo muito melhor. Juntamos coragem, respiramos fundo, arregaçamos as mangas, e continuamos trabalhando.
- A versão aceita foi a número 6, e o aceite saiu hoje (31 de janeiro de 2010). Esta versão está com vinte-e-nove páginas, e a consideramos uma contribuição realmente substancial à área.
- No processo aprendemos muito. Muito mesmo, até a não concordar com os revisores. Aprendemos também como são diferentes os processos de publicar em congresso e em periódico internacional indexado. Sim, já sei, o CSBMAC não é um evento topo-de-linha, mas, em certo sentido, é melhor do que os tais eventos nos quais as pessoas ficam satisfeitas com a própria apresentação e não estão dispostas a debater e a aprender.
O artigo está disponível aqui.
Thursday, January 21, 2010
A Arte dos Cartazes Bilingües

Esta maravilha é do Imirá Plaza, um ótimo hotel de Natal. Ainda bem que tem o texto em Português, caso contrário seria difícil saber do que se trata. Melhor do que esse, só aquele outro (que, infelizmente, não registrei) que esclarecia ao leitor anglofalante que Mel de Engenho é Device Honey. Go figure!
Friday, January 1, 2010
Recebendo 2010
Wednesday, December 23, 2009
Novos bolsistas de produtividade em pesquisa
Tuesday, December 15, 2009
SEEMI II
Que coisa boa reconhecer publicamente um trabalho sério como esse. Parabéns mestre!
Muito obrigado!
- Excelência Acadêmica em Extensão: "Alfabetização Tecnológica", de Tamer Cavalcante
- Excelência Acadêmica em Pesquisa: "Redes de Sensores sem Fios: Teoria e Aplicações", de Phillipe Cavalcante e Endhe Elias
- Excelência Acadêmica: "Análise de Simuladores para Redes de Sensores sem Fios", de Paulo Rogério e Rian Gabriel Santos Pinheiro
Esse reconhecimento ao trabalho dos meus alunos é um sério indicador de que não estamos em mal caminho...
Monday, December 7, 2009
É impossível ser um bom professor
É impossível ser um bom professor
- Se é simpático, é entrão
- Se é jovem, é inexperiente
- Se é velho, está obsoleto
- Se bebe, é bebum
- Se não bebe, é um puritano chato
- Se fala com todo mundo, é um fofoqueiro
- Se não faz, é um metido
- Se foge às regras, é arbitrário
- Se não o faz, é insensível e desumano
- Se é rigoroso, nada o satisfaz
- Se não o é, é medíocre
- Se exige, é mandão
- Se não o faz, é incompetente
- Se tem trânsito pela Universidade, é exibido
- Se não o tem, é uma múmia
- Se defende a moral, é um moralista chato
- Se não o faz, é um devasso
- Se procura melhorias, é um insatisfeito
- Se não o faz, é um acomodado
- Se se orgulha dos seus feitos, é um arrogante
- Se não o faz, é um analfabeto
- Se estimula a pesquisa, acossa os estudantes
- Se não o faz, é um superficial
- Se fala apropriadamente, é um arrogante
- Se não o faz, é analfabeto
- Se semeia, é obcecado com a colheita
- Se colhe, é porque alguém semeou
- Se trabalha como corresponde, é um oferecido
- Se não o faz, é um acomodado
- Se colabora, é da situação
- Se não o faz, é do contra
- Se tem amizades, fez do trabalho o boteco
- Se não tem, é um antissocial
Thursday, November 5, 2009
Four key principles of New Atheism
- Naturalism- the view that all of reality is reducible to matter and nothing else-is sufficient to explain everything we observe in the universe.
- Absence of evidence for God is, indeed, evidence of absence when the evidence should be there and is not.
- The Bible fails as a basis for morality and is unable to account for the problem of unnecessary suffering throughout the world.
- The "way of nature" of nontheist beliefs of Buddha, Tao, and Confucius is far superior to the traditional supernatural monotheisms, which history shows can lead evil.
Thursday, July 2, 2009
Na UTFSM

BTW, eu disse que o apartamento onde estou hospedado tem também uma vista memorável?

Friday, June 26, 2009
Sunday, June 14, 2009
Street Art: Joshua Allen Harris' Inflatable Bag Monsters
Thursday, June 11, 2009
Tuesday, June 2, 2009
The Fountain
Monday, June 1, 2009
Chinjeolhan geumjassi
Tuesday, May 12, 2009
Escala em Salvador
Companhias aéreas, por favor mais atenção para Maceió!
Sunday, May 3, 2009
Friday, February 20, 2009
Comemoração
Tuesday, February 10, 2009
Kansai - A melhor culinária japonesa de Maceió

Maceió é uma cidade pródiga em ótimas opções de culinária japonesa, mas o Kansai brilha dentre essa constelação bastante concorrida. É uma casa pequena, com algo em torno de meia dúzia de mesas, atendida de forma impecável pelo sushi-man Luciano e sua pequena equipe. O cadápio é clássico, e tudo -absolutamente tudo- é executado de forma primorosa. O preço é outra virtude, pois o rodízio está dentre os mais econômicos da cidade. Imperdível!
Sunday, February 8, 2009
101 Crônicas
Thursday, February 5, 2009
"Next Life", de Woody Allen (não confirmado)
I rest my case.
Saturday, January 31, 2009
Chinês
Saturday, January 24, 2009
A importância do ponto de vista (ou uma piadinha modernista)
- Olha, mãe, um anjo!
(Obrigado, Ángel)
Thursday, January 1, 2009
1 de janeiro de 2009 com Morgana
O meu celular tem a opção de postar no Blog uma fotografia. Resolvi conferir no primeiro dia do ano com uma fotografia extremamente original: Morgana e eu. A foto foi parar em um Blog de nome mais ou menos genérico, mas ao entrar nele com a senha que recebi no celular eu tive a opção de migrar para o meu Blog oficial. Assim o fiz, e eis o resultado.
Thursday, December 25, 2008
Orientador/a de IC: Manual de Uso e Conservação

Olá,
Estou preparando a palestra que irei ministrar para alunos de graduação na ERBASE de 2009, que será realizada em Ilhéus. Os organizadores foram _________ (preencher com o adjetivo que você achar mais adequado) o suficiente para aceitar "Orientador/a de IC: Manual de Uso e Conservação".
Eu acho que este tipo de apresentação pode ter um papel muito importante no futuro de cada pessoa na platéia. Talvez esteja sobre-estimando o poder das minhas apresentações, mas acho importante ser cuidadoso e procurar a excelência, tanto do conteúdo quanto da forma.
Diante desse cenário, comecei preparar a apresentação usando FreeMind, um software livre para... sim... Mapas Mentais. Até o momento está servindo como bloco de anotações, mas acredito que possa vir a ser de utilidade.
Achei várias coisas interessantes que gostaria de compartilhar para estimular a discussão, reflexão, ameaças e sugestões:
Um artigo na Nature
As nove categorias de orientador (ver imagem)
Uma vídeo-baboseira (http://www.youtube.com/watch?v=5WEX6KL9GBQ)
Espero que o material seja de interesse.
Felizes festas!
Alejandro
Saturday, November 8, 2008
Reflexões sobre a universidade do século XXI e o papel do professor titular neste contexto, artigo de Vasco Azevedo no Jornal da Ciência de 25/11/2008
Vasco Azevedo é professor titular do Depto.de Biologia Geral do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:
"Para alcançar conhecimento, adicione coisas todo dia. Para alcançar sabedoria, elimine coisas todo dia."
Lao-Tsé
A reforma universitária, gestada pelo governo militar em 1968, é considerada um grande marco na história das universidades brasileiras. A Lei nº. 5.540/68, “Lei da Reforma Universitária” acaba com a cátedra. O catedrático era um cargo vitalício, todos os demais professores, auxiliares dos catedráticos, fossem eles “chefes de laboratórios”, “assistentes” ou “auxiliares de ensino” deveriam ser de confiança do respectivo catedrático, por ele escolhido e cuja permanência nos cargos sempre dependia da vontade do catedrático.
O catedrático eficiente impunha o seu dinamismo ao seu “feudo” e conseguia criar grupos de renome, como, por exemplo, o grupo criado pelo professor Baeta Viana na Escola de Medicina da UFMG, que deu origem ao departamento de Bioquímica e Imunologia.
O catedrático ineficiente, certamente, usava de seu autoritarismo para tentar disfarçar a sua inabilidade de ser um líder de expressão. Tal poder foi transferido para os departamentos. O lado positivo da cátedra é a possibilidade de se criar um grupo mais perene e focado em um tema de pesquisa.
Hoje, temos os alunos de pós-graduação que ficam por um período curto e, muitas vezes, quando novos professores ingressam no departamento, eles têm liberdade total para implantar as suas linhas de pesquisa. Porém, muitas delas não se solidificam, pois o fortalecimento só acontece se o professor titular conseguir atrair, naturalmente, professores para formar um grupo.
Um modelo alternativo poderia ser pensado para aqueles que, por mérito, alcançassem o posto de professor titular, um apoio da Instituição com cargos de pesquisadores e técnicos que iriam trabalhar nas linhas destes professores.
Acredito que o professor titular deve conquistar a confiança dos colegas para que ele possa liderar e exercer o seu papel na Universidade, que é de suma importância. No departamento, o professor titular participa da composição da câmara, sem a necessidade de eleição.
Na câmara, são tomadas todas as decisões acadêmicas relativas ao ensino, pesquisa e extensão e a influência do professor titular é inegável. Acredito que os Departamentos carecem de planejamento, sendo a ação de um professor titular fundamental no processo de elaboração de suas prioridades, por meio de planos de ação estruturados de médio e longo prazo para que este se torne forte e competitivo.
Este plano deve contemplar a melhoria da infra-estrutura de pesquisa, do ensino e da extensão, bem como a motivação dos professores e técnicos, sempre aplicando a meritocracia, que é a mola propulsora do desempenho acadêmico de excelência.
O professor titular tem que assumir compromissos administrativos, dentre os quais chefias do Departamento, coordenadorias de Pós-graduação, diretorias de Unidade, Pró-reitorias e mesmo reitoria, devendo sempre estar preparado para o exercício das funções administrativas.
O professor titular deve ter maturidade para congregar os professores, técnicos, alunos e todos os que convivem na Instituição, de forma a propiciar uma convivência pacífica e ordeira, fornecendo melhores condições de trabalho.
Em Unidades Acadêmicas da Universidade, o professor titular também participa da Congregação que tem uma amplitude maior do que as reuniões das câmaras departamentais. Ao se pensar na instituição, é importante que haja troca de experiências entre os Departamentos e, para que este modelo prospere, é necessário que exista um equilíbrio entre os mesmos, em uma atmosfera de respeito pela história e evolução de cada um deles.
O professor titular pode participar de órgãos colegiados superiores como as Câmaras de Graduação, Pós-graduação e Pesquisa, e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), ou até mesmo no Conselho Universitário, além de exercer outras funções administrativas. Estas funções, nas Universidades, requerem competência e profundo conhecimento da Instituição, sendo seu exercício motivado por sabedoria e moderação.
Nas agências de fomento dos Estados ou da União vinculadas à Educação, Ciência e Tecnologia, há um espaço para o exercício da liderança dos professores titulares.
Nos últimos anos, os grandes projetos científicos e tecnológicos são direcionados para o trabalho redes (Instituto do Milênio, Pronex, Rede Genoma e Proteoma), e são, obrigatoriamente, coordenados por professores nível 1 do CNPq, os quais, geralmente, são professores titulares.
Nestes projetos, os coordenadores são agentes catalizadores e motivadores da interação entre as instituições e os grupos de pesquisa.
O professor titular deve sempre buscar intercâmbios com instituições no exterior, com o objetivo de incrementar as interações e fortalecer os grupos de pesquisa da sua Instituição.
A vinda de professores e pesquisadores visitantes de outras instituições, principalmente do exterior, promove o intercâmbio de escolas de pensamento, o que é de fundamental importância na formação de um pensamento plural que é mais abrangente e, principalmente, consistente.
Concluo, diante do exposto, que o professor titular deve ser um modelo a ser seguido e, para isso, deve ser um professor exemplar em sala de aula, produzir ciência e formar recursos humanos em quantidade e qualidade compatíveis com as melhores universidades do mundo.
Acredito que é cumprindo a função de produzir, compartilhar e difundir o conhecimento que a universidade forma cidadãos esclarecidos e profissionais capacitados.
Como realizamos mais de 80% da pesquisa científica nacional nos nossos laboratórios, de fato, a universidade é responsável pelo desenvolvimento científico do país.
Formação de recursos humanos
Exercendo seu papel de geradora de conhecimento científico e tecnológico, a universidade se torna uma interlocutora importante do setor empresarial, contribuindo para a inovação e o desenvolvimento industrial, com impactos tanto do ponto de vista científico, como do econômico e social.
Com isso, cabe a ela cuidar da formação de quadros de pessoal qualificado para atividades acadêmicas e também nos setores empresariais, privado, público ou de centros de pesquisa, e cabe a ela cuidar da complementação de formação de pessoal em áreas em que o Brasil ainda não atingiu o nível internacional adequado. Por isso, acredito que temos que quebrar vários paradigmas educacionais no começo desse século nas nossas universidades.
Com a diminuição do número de cargos nas universidades e com o aumento do número de doutores – o Brasil quer formar mais de 14 mil doutores/ano – e, com o crescimento da atividade de pesquisa e do financiamento da mesma, a pesquisa nas universidades do nosso país terá que se assentar no trabalho de pós-doutorado como aqueles nos Estados Unidos e Europa.
O Brasil está começando a se empenhar no sentido de melhorar a qualidade da ciência básica nas suas universidades e uma estratégia que começou a ser usada é a de oferecer mais bolsas de pós-doutorado para brasileiros, mas ainda falta oferecer bolsas a estrangeiros.
O papel dos programas de pós-doutorados nas universidades é incrementar a pesquisa, dessa forma, expandindo seu número de pesquisadores-doutores sem ter com eles compromissos institucionais, já que a escolha do pós-doutorando é de inteira responsabilidade do professor que detém o financiamento.
Enfim, o recebimento de pós-doutorandos nas universidades é uma política que atende, em última instância, aos interesses das próprias universidades.
A tendência do pós-doutorado é se caracterizar como uma oportunidade de complementação de formação por meio de um trabalho de pesquisa. Evidentemente, um jovem doutor ainda tem muito que avançar em sua formação e a oportunidade de trabalho em uma equipe de qualidade, com liderança em certo tema e com financiamento contribui muito para isso.
Entretanto, essa formação é muito mais especializada, restringindo-se, em geral, ao contato com os membros da equipe, e pode ocorrer em quase total isolamento do restante da universidade, na medida em que o pós-doutor não tem que cumprir disciplinas nem se envolver com qualquer outro laboratório/departamento/grupo que não seja aquele no qual está inserido.
Inovação
A preocupação em proteger suas invenções deu um salto nas universidades brasileiras nos últimos anos, mas ainda está longe do ideal. NA UFMG foi criada a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), para atuar na gestão do conhecimento científico e tecnológico, exercendo, entre outras, atividades concernentes à disseminação da cultura de propriedade intelectual, ao sigilo das informações sensíveis, à proteção do conhecimento e à comercialização das inovações geradas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Hoje esta coordenadoria é considerada a melhor do Brasil e a UFMG tem: 247 pedidos de patentes depositados no Brasil, sendo 6 concedidas; 47 pedidos de patentes depositados no exterior, sendo 12 concedidas; 10 software; 32 marcas; 17 contratos assinados de transferência de tecnologia.
Este esforço feito pela UFMG vem encorajando os pesquisadores, que antes tinham todo o trabalho, a depositarem as suas patentes, vendo com alegria a possibilidade da comercialização dos seus produtos.
Extensão
O professor em regime de dedicação exclusiva deve realizar atividades de ensino, pesquisa e extensão, e tenho sempre em mente estes três pilares na carreira universitária. A extensão universitária é uma forma de interação da universidade com a sociedade. É uma espécie de ponte permanente entre a universidade e os diversos setores da sociedade.
Escrevi, recentemente, um ensaio intitulado: “O Professor Universitário e o menino da bolha”. Nele, comparo o professor universitário que sente se seguro no seu campus, sua bolha, ao menino que tem falhas no seu sistema imune e é obrigado a viver na bolha. Se sair da bolha, o menino morre. Se o professor vive somente na redoma dourada dos seus campi, não cumpre a sua função plena com a sociedade que o paga.
Ensino, pesquisa e extensão são interdependentes. O ensino precisa da pesquisa para oxigená-lo, aprimorá-lo e inová-lo, pois, do contrário, corre o risco da estagnação.
O ensino necessita da extensão para levar seus conhecimentos à comunidade e complementá-los com aplicações práticas. A extensão precisa dos conteúdos, educandos e professores do ensino para ser efetivada. A extensão necessita da pesquisa para diagnosticar e oferecer soluções para problemas diversos com os quais irá deparar-se, bem como para que constantemente se atualize.
Por sua vez, a pesquisa prescinde dos conhecimentos detidos pelo ensino, como base de partida para novas descobertas. Além disso, a pesquisa depende do ensino e da extensão para difundir e aplicar sua produção, e assim, indicar-lhe os novos rumos a seguir.
Portanto, ensino, pesquisa e extensão são atividades interdependentes, complementares e precisam ter valorações equivalentes no sistema universitário.
A qualidade e o sucesso dos profissionais formados pelas universidades dependem, diretamente, do nível de desenvolvimento, equilíbrio e harmonia entre essas três áreas da universidade.
É difícil conceber universitários bem formados sem a influência dessa formação sistêmica interdependente e complementar que deve ser propiciada pelo ensino, pesquisa e extensão.
Existem vários tipos de ações que são consideradas extensionistas, como diferentes tipos de cursos, palestras, viagens de estudo e campanhas orientativas.
Durante os oito anos que fiquei na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e nos últimos dez anos até os dias atuais, atuando na Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), fui praticamente do Oiapoque ao Chuí fazendo campanhas para que a cultura da Biossegurança se instalasse na mentalidade dos professores e pesquisadores das universidades e centro de pesquisas.
Foram dezenas de visitas aos centros de pesquisa, explicando a lei de biossegurança e orientando os institutos nos parâmetros nos quais deveriam se enquadrar e como os laboratórios deveriam se reestruturar para trabalhar com Organismos Geneticamente Modificados; escrevi, também, vários artigos nos jornais da mídia convencional e da ANBio.
Desde 1998, minha atuação e postura visam sempre a incentivar a consciência e responsabilidade no trabalho com Organismos Geneticamente Modificados. Fomos ao Senado Federal para participar de audiência pública e elaboramos um documento que pudesse dar subsídios aos parlamentares, ministrei cursos para profissionais da área de direito e da mídia e treinei fiscais da vigilância sanitária que trabalham nos portos brasileiros. Tais atividades de formação constituem importante trabalho de extensão essencial à excelência global das instituições públicas.
A Universidade Brasileira é plural e deve continuar assim neste século. Os professores e principalmente os titulares devem ter uma visão holística do mundo e aberta. Precisamos lembrar que a boa universidade é aquela que emprega. Para empregar é preciso conhecer o mercado. O mercado é dinâmico, imediatista e o tempo do ciclo das suas necessidades são variáveis, podem ser longos ou curtíssimos. Qual a atitude que as Universidades devem ter em relação ao mercado?
Não pode ser submissa, subserviente, deve ter independência sem ser arrogante e autoritária. Deve ter a capacidade de planejar e fazer exercícios de previsões do futuro. Acredito que é o fiel da balança da sociedade com o mercado, mais nunca deve esquecer que precisa empregar, sem ser a qualquer custo, repassar os ensinamentos e gerar riquezas. Se fizermos isto, as universidades e seus professores terão um grande papel no século XXI.
Tuesday, September 16, 2008
Preparados para perder
Artigo de Gustavo Ioschpe (Veja, Edição 2076, 3 de setembro de 2008)
O Brasil foi excepcionalmente bem nos últimos Jogos Olímpicos. Com catorze medalhas de ouro, ficamos em 14º lugar – destaque para o nadador Clodoaldo Silva, seis ouros. Infelizmente falamos da Paraolimpíada de Atenas, já que na última Olimpíada convencional o Brasil teve desempenho pífio: três ouros, 23ª posição, atrás de países como Jamaica, Quênia e Etiópia. Creio que essa diferença de performance entre os dois tipos de competição não seja totalmente acidental.
As razões costumeiras não parecem explicar bem os motivos do nosso fracasso. O primeiro vilão apontado é a nossa pobreza. Mas o Brasil é hoje a décima economia do mundo, não a 23ª.
A segunda razão comumente apontada é o pouco investimento em esporte no país. Em 2008, não foi o caso. Segundo a Folha de S.Paulo, apenas o governo federal investiu 1,2 bilhão de reais em esportes olímpicos desde Atenas. Sem incluir o orçamento de fontes próprias do COB, esse valor significaria um custo de 400 milhões de reais por ouro. O custo do Comitê Olímpico americano – financiado basicamente sem dinheiro público – foi de 32 milhões de reais por ouro.
A impressão que ficou de nossos atletas é que seus fracassos se deveram mais a questões psicológicas do que financeiras ou estruturais. E isso importa não por causa da Olimpíada, que tem valor apenas simbólico, mas porque essa mentalidade se reproduz em toda a vida nacional, com conseqüências reais.
No mês de julho, foram disputados os Jogos Olímpicos escolares: Química, Física, Matemática e Biologia. Das 142 medalhas de ouro distribuídas nessas competições, o Brasil ganhou... zero.
Não temos apenas carências materiais a nos complicar a vida: temos uma cultura que abomina a competitividade, desconfia dos vitoriosos e simpatiza com os fracassados. Quando o nadador César Cielo, não por acaso treinado nos EUA, declarou que iria em busca do ouro, o desconforto dos comentaristas televisivos foi audível: muita saliva gasta para deixar bem claro que se tratava de "autoconfiança" e não "arrogância". Porque melhor um bronze humilde do que um ouro arrogante! Se Michael Phelps tivesse nascido no Brasil, seria provavelmente exilado ao declarar a intenção de bater o recorde de medalhas em uma Olimpíada. Só num país de perdedores uma classificação para final olímpica é vista como "garantia de prata", e não uma chance de 50% de ouro. Só no Brasil se ouvem atletas dizendo que o bronze valeu ouro, só aqui se vê um chororô constante e público de favoritos que foram vencidos por seus nervos. Só aqui um atleta como Diego Hypólito, depois de cair sentado em sua competição e ainda ter a pachorra de culpar os céus ("Deus não quis. Deus decidiu isso."), é recebido com festa e escola de samba. Nós nos preocupamos mais em ser campeões morais do que campeões de fato. Valorizamos o esforço mais do que o resultado. Acreditamos que o sofrimento do percurso redime o fracasso da chegada, ao contrário dos países que dão certo, em que o sucesso do resultado é que redime o sofrimento do percurso.
As desigualdades que se acentuaram ao longo de governos autoritários parecem ter originado a idéia estapafúrdia de que, em uma democracia, os cidadãos devem ser iguais. Não tratados da mesma maneira: pelo contrário, tratados de maneira desigual, para que no resultado final se estabeleça a igualdade. Como é impossível elevar todos aos píncaros da glória, já que as aptidões individuais são diferentes, o objetivo passa a ser a mediocrização total. Por isso a palavra-chave dos tempos que correm é a "inclusão", e não o "mérito": para trazer todos à média, é preciso focar a atenção nos deficientes e ignorar – quando não reprimir – os talentosos.
Esse é sem dúvida um traço cultural, difuso, do brasileiro. Mas não há dúvida quanto ao locus no qual essa mentalidade é mais amplamente difundida e inculcada: a nossa escola. Há leis sobre o acolhimento de crianças com deficiências físicas e mentais na sala de aula; há preocupação com a questão dos excluídos no programa de livros didáticos do MEC, até da área de ciências. Mas não existe nenhuma preocupação oficial com a identificação e o desenvolvimento daquilo que o país tem de mais precioso: grandes mentes. Pelo contrário: quando esses esforços existem, normalmente vindos da iniciativa privada, são rechaçados pelos políticos dos mais diversos matizes. Quando uma ONG chamada Ismart, capitaneada por Marcel Telles, quis institucionalizar seu programa de bolsas a jovens talentos pobres de São Paulo, ouviu do então secretário estadual, Gabriel Chalita, que o instituto estava proibido de aplicar suas provas na rede estadual para descobrir os talentos e também de divulgar a iniciativa. Caberia à secretaria, com seus métodos e em privado, identificar os candidatos. Na secretaria municipal da gestão Marta Suplicy a recomendação foi mais direta: se havia uma preocupação com os alunos fora de série, por que não focar naqueles com síndrome de Down? Não é por acaso que o nosso censo escolar identifica míseros 2 553 alunos superdotados em um universo de 56 milhões de estudantes da educação básica: é preciso uma cegueira proposital para ver tão pouco.
A ojeriza à meritocracia em nossas escolas vem sob a desculpa de que a competitividade pode causar profundos danos à psique das crianças. Um sistema educacional como o chinês, em que os melhores alunos de cada sala são identificados publicamente – em algumas escolas, através do uso de lenços coloridos – e posteriormente transferidos às melhores escolas, desperta em nossos professores os seus instintos mais primitivos. Freqüentemente ouve-se que sistemas assim levam as crianças ao suicídio, depressão etc. É a senha para que criemos uma escola inclusiva, afetiva, que cria seres felizes e éticos. É uma empulhação sem tamanho. A literatura empírica educacional aponta o benefício de o aluno fazer dever de casa e ser avaliado constantemente, por exemplo. Práticas malvistas por nossos professores, porque supostamente significariam acabar com o componente lúdico da infância e, com certeza, roubariam o tempo lúdico do professor. Pior ainda: a suposta escola do afeto e da felicidade produz muito mais miséria, e por período bem mais longo de tempo, do que as agruras de um sistema meritocrático que premia o trabalho. O que é melhor: "sofrer" por algumas horas por dia na infância estudando com afinco e ter uma vida próspera e digna ou passar a juventude em brincadeiras e amargurar toda uma vida na humilhação do analfabetismo, do subemprego e da pobreza? Qual a sociedade que produz menos violência e infelicidade: aquelas em que os alunos brincam ou aquelas em que estudam?
Enquanto prepararmos a futura geração para que escolha entre o sucesso e a felicidade, o Brasil permanecerá sem os dois.
Tuesday, June 24, 2008
Atividade para 1/7/2008
Aproveitando os recursos do Google, criei este blog especificamente para a nossa disciplina. Vamos usá-lo para uma atividade:
- Ler o artigo de Marcelo Gleiser intitulado "Mito ou Verdade?"
- Fazer uma pesquisa sobre este autor
- Escrever pelo menos um comentário neste blog sobre duas coisas: (i) o artigo à luz dos conteúdos que vimos discutindo na disciplina e (ii) a dimensão acadêmica do autor
A atividade vale nota e conta como carga horária. Somente serão consideradas válidas as respostas postadas até as 18:00 do dia 1/7/2008. Somente respostas válidas contarão como presença.
Alejandro
















